"O que diferencia «uma mudança reformista» de «uma mudança não reformista» num regime político, é que no primeiro caso o poder continua fundamentalmente nas mãos da antiga classe dominante e que no segundo o poder passa das mãos dessa classe para uma nova."

domingo, 8 de março de 2009

8 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Em homenagem a todas as mulheres que ao longo dos anos lutaram (em particular aquelas que antes do 25 de Abril sem desfalecimentos e com determinação enfrentaram os agrários e as forças fascistas) para que hoje seja possível viver em liberdade e democracia e reflectir sobre aquele tempo de miséria e opressão, continuando a lutar contras as políticas “socráticas socialistas” que hoje nos empurram para situações quase iguais, ás que se passavam naquele tempo.
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Aqui fica o relato, na primeira pessoa de um de muitos episódios dessa luta, das mulheres do Couço nos anos 60, que nos é descrito por Maria Rosa Viseu, Operária Agrícola e militante do PCP.
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«Naquele tempo trabalhávamos de sol a sol. Saiamos de casa de noite, entrávamos em casa de noite.
Outras vezes trabalhávamos de empreitada. Chegávamos ao trabalho os manageiros talhavam as empreitadas, quando as acabávamos íamos para casa. O patrão para quem nós trabalhávamos, não deixava o manageiro talhar as empreitadas, era ele que as talhava. Talhava-as muito grandes que nós quase nunca as acabávamos. Era ele que ia sempre despegar-nos do trabalho. Começámos a ver que o patrão nos queria enganar.
Nenhuma de nós tinha relógio. Começamos a guiar-nos pela camioneta da carreira, que passava sempre às 5 h da tarde, era branca, toda branca, pensámos que não podíamos trabalhar mais tempo. Uma das mulheres sobe ao cabeço, vê passar a camioneta e diz para as companheiras: - a noiva já lá vai.
Uma delas, mais idosa, pergunta ao manageiro: - então não nos despega? Olhe que já são horas!
– Não tenho ordens para as despegar!
- Ah não? Pois então despegamo – “se” a gente.

Ela saltou de dentro do canteiro do arroz para o “combro” (parede de suporte de terreno em socalco) e 70 mulheres fizeram o mesmo e viemos para casa.
No outro dia, ao nascer do sol, lá estava o patrão e nós negociamos com ele. Se não nos viesse despegar a horas, não trabalhávamos mais. O arroz estava cravadinho de erva. O patrão, como precisava da gente, concordou.
Foi sempre assim, tínhamos de lutar por tudo, até para ter a cozinha à sombra. O patrão queria que a cozinha ficasse o mais perto do trabalho, para não perdermos tempo no caminho. Não se importava que comêssemos ao sol ou à sombra.
Sofremos muito!»
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Não podemos esquecer! Foi assim, nestas condições que as nossas mães e avós viveram, trabalharam e lutaram, para que hoje nós tenhamos “outra vida”.
Saibamos ser dignos delas!

6 comentários:

Carlos disse...

que testemunho! ouvi ele contar muitas vezes esta história...

Inês disse...

Viva as mulheres e principalmente as do Couço que muito lutaram e lutam!

Fernando Samuel disse...

É importante lembrar esses tempos de ausência total de liberdade, em que a exploração assumia os aspectos mais brutais - e em que quem lutava sofria as mais violentas consequências; e é importante olharmos para a realidade actual - em que a política de direita de Sócrates/PS, na sua deriva autoritária, opressiva e exploradora, retoma métodos e práticas cada vez mais semelhantes aos que nesses tempos eram utilizados; e é importante lutarmos contra a política de direita até a derrotarmos e retomarmos o caminho de Abril.
Só assim faremos da nossa palavra de ordem, «25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais», uma realidade concreta.

Um abraço.

Brigadas Socialistas disse...

...e a cassete toca e toca... carregam no play e vá de os Portugueses levarem com isto há mais de 30 anos, há pessoas que não querem mesmo fazer passar a sua mensagem.

Sempre contra aqueles que não sabem argumentar sem estarem a olhar para a cartilha oficial da máquina moribunda e orfã de mãe e ...pai!

Viva a Liberdade de Expressão neste blog Entre Linhas! É por um comunismo assim que os membros do PCP deviam lutar!
Pedro és Grande... retoma o teu caminho, junta-se ao PS!

Anónimo disse...

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Alfredo Poeiras disse...

As mulheres do Couço, ficarão para sempre ligadas à luta contra o fascismo em portugal.
Mais que lembrar que o fascismo governou Portugal durante 48 longos anos, cada dia que passa serve para nos mostrar para onde nos leva O engenheiro Socrates e o seu PS e todo o sistema Capitalista.
Podem chamar-lhe cassete, mas a luta tem que continuar, porque senão o 25 de Abril ficará a saber a pouco.