21 Dezembro, 2009
Um cravo para Alexandrina
Encontraremos as respostas se as procurarmos neste nosso ideal comunista feito dos mais elevados valores e sentimentos humanos: a liberdade, a justiça social, a paz, a fraternidade, a solidariedade, a amizade, o amor, a ternura. E que, por isso, é o mais humano, o mais justo, o mais belo de todos os ideais. E que, por isso, é fonte de força essencial do Partido, deste espaço amplo de luta e de camaradagem que habitamos, militantes todos com iguais direitos e deveres – do mais antigo ao mais recente; do mais idoso ao mais jovem; do intelectual ao operário.
Quando a lei da vida nos rouba um elemento deste grande colectivo, sofremos. Todos.
E, para cada um de nós, se quem parte era, além de camarada, um amigo, a dor é ainda maior.
Agora foi a Alexandrina que nos deixou e deixou, em todos quantos a conheceram e com ela conviveram, uma saudade do tamanho do mundo.
A Alexandrina: de uma solicitude a tempo inteiro para dar o seu contributo – modesto?: enorme! – ao colectivo. Sempre: fosse no tempo sombrio do fascismo; fosse no tempo luminoso de Abril; fosse neste tempo, outra vez sombrio, da contra-revolução.
Com a mesma simplicidade e modéstia com que, nesse tempo velho, fez da sua casa um refúgio para camaradas perseguidos pelo fascismo, ela integrou, no tempo novo de Abril, a luta colectiva do Partido - numa participação em que o convívio tinha lugar marcado, às vezes com dezenas da camaradas à volta da mesa, saboreando a refeição que ela confeccionava com o tempero superior da amizade, do amor, do carinho.
Sempre com aquele seu jeito fraterno de ser camarada. Sempre com aquela sua maneira terna de ser amiga. Sempre com aquela alegria e confiança de quem sabe que é parte do imenso colectivo partidário e transporta o mais belo de todos os ideais.
Para a Alexandrina, um cravo. De Abril. Vermelho.
02 Dezembro, 2009
25 Novembro, 2009
O 25 de Novembro
O 25 de Novembro foi um golpe militar inserido no processo contra-revolucionário. A sua preparação começou muito antes das insubordinações e sublevações militares do verão quente e de Outubro e Novembro de 1975.
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“Na grande aliança contra-revolucionária, internamente muito fragmentada, participavam fascistas declarados e outros reaccionários radicais, que visavam a instauração de um nova ditadura, que tomasse violentas medidas de repressão, nomeadamente a ilegalização e destruição do PCP.”
“Da parte dos fascistas e neofascistas, a ilegalização e repressão violenta do PCP era, não apenas um desejo mas um objectivo que pretendiam fosse alcançado no imediato.”
“Mário Soares e o PS tinham representado um papel importante na acção política preparatória do 25 de Novembro. Mas o golpe do 25 de Novembro não foi o que projectaram. Nenhum dos seus três objectivos centrais imediatos se concretizou. Nem a liquidação da dinâmica revolucionária e das suas conquistas. Nem o esmagamento militar do PCP, do movimento operário e da esquerda militar, nem, como resultado do golpe, ser Soares o vencedor, aquele que teria salvado a democracia de um golpe e de uma ditadura comunista e que por isso assumiria naturalmente de imediato, no poder do Estado, as responsabilidades daí decorrentes. Tal operação foi tentada mas falhou. Não é por isso exagero dizer-se que Soares ficou de fora do 25 de Novembro”
(A. Cunhal in A verdade e a mentira na Revolução de Abril)
23 Novembro, 2009
12 Novembro, 2009
Insensibilidade “reforçada”

O PS de Coruche que nas últimas eleições reforçou a maioria absoluta, parece ter também “reforçado” a sua insensibilidade perante as dificuldades da generalidade dos Coruchenses.
Só assim se explica, que ontem na segunda reunião do novo executivo municipal, tenha aprovado para o ano de 2010 a taxa máxima permitida por lei do imposto municipal sobre imóveis (IMI) que vai ser cobrado aos coruchenses.
Claro que os interesses da “Nestlé” estão salvaguardados pelo poder socialista, pois, em 2010 esta multinacional continuará a beneficiar da isenção de pagamento do IMI.
10 Novembro, 2009
Álvaro Cunhal – Um Exemplo para a Luta que Continua
“…Não se é marxista-leninista só porque se dão vivas ao marxismo-leninismo e se afirma a fidelidade aos princípios, se estes são compreendidos como petrificados e alheios à realidade em que se luta. Tão importante como um partido afirmar-se marxista-leninista é sê-lo de facto. …”
(Álvaro Cunhal em “O Partido com Paredes de Vidro”)

09 Novembro, 2009
"PIDES de 1ª e PIDES de 2ª"

Alguma coisa se tem escrito sobre a política de Salazar, que tinha carta branca para prender sem mandato, torturar e até fazer desaparecer muito bom cidadão deste país que não afinasse pela democracia orgânica inventada pelo antigo presidente do conselho, de que é exemplo notório o assassinato de Humberto Delgado.
Estima-se em cerca de 2.500, os agentes da PIDE à data do 25 de Abril e grande parte deles está hoje bem instalada na vida; até condecorados foram depois da Revolução.
No entanto, o que ninguém conseguiu contabilizar foi o número de informadores que constituíam a rede quase subterrânea dos chamados "bufos" de triste memória, uma casta venenosa que denunciava ao seu agente qualquer conversa que escutasse, a troco de dez reis de mel mal coado. Medrava esta erva daninha em qualquer escalão social, desde um director politicamente convicto até um desempregado IGNORANTE!
Sabia-se, inclusive, que a PIDE tinha viaturas donde escutava qualquer conversa a cerca de seis metros. Qualquer carro encostado ao passeio era duvidoso em muitos casos.
Esta máquina infernal constituía o suporte repressivo da ditadura, com censura prévia, a que davam uma mãozinha a muita profícua e conhecida Legião Portuguesa e as forças paramilitares, entre outros esquemas.
Existiam a nível local a qualquer cidadão consciente que se tornasse notado sofria as consequências da praxe, onde não faltava a calúnia e a infâmia para prejudicar, pessoal e profissionalmente o indivíduo.
O autor destas linhas foi também protagonista da acção dos tais"bufos".
Com efeito, certa vez, num café no Largo de Santos-o-Velho, ali à Madragoa, com outros dois colegas da rádio e enquanto tomávamos o café, um deles chama o engraxador. Continuávamos com as nossas lamentações sobre a carestia da vida, os miseráveis ordenados, a falta de liberdade e a repressão.
Trauteando uma canção em voga na época, o engraxador não dava mostras de se interessar pela nossa conversa. O homem recebeu os dez tostões e arranca com a caixa, enquanto se aproxima de nós o empregado, afobado e aflito, e pespega-nos: "Vão-se embora já! O bufo já está a denunciá-los à PIDE! Eles não tardam aí. Saiam, logo pagam depois!"
Rapidamente espalhámo-nos pelo jardim e pouco depois chegam de carro dois agabardinados agentes que entraram no café de rompante. Vimo-los sair imediatamente, olhando para todos os lados.
Era assim que a máquina agia.
Mais tarde deparámo-nos com o nosso amigo engraxador de cabeça ligada, olhos esmurrados e muito bem enfeitado com nódoas negras na cara. Disse¬nos o empregado que até àquela data ninguém sabe quem fez aquele belo trabalho ao "bufo".
José Pereira Júnior
(O Passado no Presente - Pequenas Histórias da Resistência, URAP, Abril 2004)
08 Novembro, 2009
06 Novembro, 2009
Comemoremos a Grande Revolução de Outubro

«Foi aos operários russos que couberam a honra e a alegria de serem os primeiros a desencadear a revolução, quer dizer, a grande guerra, a única guerra justa e legítima, a guerra dos oprimidos contra os opressores.»
«Os capitalistas sempre chamaram “liberdade” à liberdade de obter lucros para os ricos, à liberdade dos operários de morrerem de fome.»
«Só quando “os de baixo” não querem o que é velho e “os de cima” não podem continuar como dantes, só então a revolução pode vencer.»
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«A questão mais importante de qualquer revolução é sem dúvida a questão do poder de Estado. Nas mãos de que classe está o poder, isto é que decide tudo.»
05 Novembro, 2009
«Eleição histórica»
Pronto: está no poder quem os EUA queriam que estivesse. A democracia funcionou e triunfou. Agora é só enviar mais umas dezenas de milhares de soldados norte-americanos e tudo ficará resolvido à maneira.
A história desta «eleição histórica» é paradigmática do tempo que vivemos.
Como é sabido, na monumental fraude que foram as eleições de 20 de Agosto passado, Karzai foi o candidato, digamos assim, mais votado, logo seguido por Abdullah Abdullah. Recorde-se que a primeira «leitura» dos resultados eleitorais deu a vitória com mais de 50% dos votos a Karzai, o que arrumava desde logo o assunto…
Mas as fraudes eram de tal monta e tão óbvias que tal «leitura» não logrou impor-se e teve que ser corrigida: os resultados finais obrigavam a uma segunda volta entre os dois candidatos mais votados.
Agora, Abdullah desistiu, por considerar que as fraudes eleitorais da primeira volta iriam repetir-se.
Face a esta desistência, e sem olhar às suas causas, logo os EUA – bem como alguns governos de outros países ocupantes e o secretário-geral da ONU - apontaram como solução a anulação da segunda volta das eleições e a entrega da presidência ao… organizador das fraudes – e a tal «Comissão Eleitoral Independente» assim fez.
É claro que havia a possibilidade - esta democrática, de facto - de ser chamado a concorrer o terceiro candidato mais votado em 20 de Agosto, mas ao que parece tal hipótese nem sequer foi considerada…
Na verdade, não há democracia que resista ao modelo de «democracia made in USA» que o imperialismo norte-americano tenta exportar para todo o planeta – modelo cujo conteúdo democrático fica bem evidenciado com esta «eleição» de Hamid Karzai para presidente do Afeganistão com os votos obtidos em eleições reconhecidas por toda a gente como fraudulentas.
Por isso mesmo, uma «eleição histórica» - como faz questão de sublinhar o Governo de Barack Obama.



