"O que diferencia «uma mudança reformista» de «uma mudança não reformista» num regime político, é que no primeiro caso o poder continua fundamentalmente nas mãos da antiga classe dominante e que no segundo o poder passa das mãos dessa classe para uma nova."

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Crise e a política económica

A agenda neoliberal na sua fase mais virulenta


O memorando de “entendimento” que é imposto a Portugal pela troika PS-PSD-CDS coligada com a troika FMI-BCE-CE é gerador de um cenário de desastre, tanto pela evidente penalização social com que atinge a vida da população portuguesa em geral (poupando a grande burguesia que detém as grandes fortunas, os principais meios de produção, e os principais cargos de direcção), como pela regressão económica em que o país se encontra e que a “estruturação” aprofunda ainda mais, como também, por conduzir inevitavelmente (como se fosse o seu propósito) ao incumprimento perante os credores da dívida externa (por força das condições leoninas do empréstimo). A aceitação deste “entendimento” representaria um duro golpe à soberania do país e às suas capacidades e condições socioeconómicas por largos anos.
Não parece crível que os principais actores desta encenação não retirem a mesma conclusão quanto à insolvência do país a prazo, caso este “entendimento” avance. Mas pelos vistos o capital nacional-internacional está mesmo apostado ou é isso mesmo que tem em mente - levar por diante esta agressão ao nosso povo (com as conhecidas conivências políticas nacionais), que significaria um verdadeiro saque de dinheiro (fruto do trabalho e do roubo de direitos constitucionais dos portugueses) e de património (empresas, terras, o que quiserem comprar ou levar por conta, com a cumplicidade do trio PS-PSD-CDS). Deixando o país aprisionado numa dívida ainda maior.

Entretanto, o governo acelerou já a aplicação de cortes e congelamentos do financiamento ao sistema científico e tecnológico nacional, designadamente para Laboratórios de estado, Unidades de investigação universitárias, projectos de investigação científica e desenvolvimento experimental, e bolsas de investigação. O que significa o prosseguimento do caminho que vinha sendo seguido há já alguns anos, mas precipitando o seu agravamento futuro, ilustrando aquilo que o “entendimento” prevê no que toca à redução de “despesas” e do “peso” da administração pública (central e autónoma). Não obstante os slogans do “choque tecnológico”, do “compromisso com a ciência” e outras mais campanhas de relações públicas (depois de já esgotadas também as da “sociedade do conhecimento”, da “paixão pela educação”, etc.).
A desarticulação da capacidade científica e técnica do estado serve bem os interesses do grande capital; reduz a capacidade de intervenção do estado em matéria de planeamento, regulamentação, licenciamento, administração; liberta a decisão política da crítica técnica; facilita o negócio do outsourcing; liberta quadros qualificados para oportunidades de negócio a custos flexibilizados; etc. Os milhares de doutorados, arvorados pelo governo em bandeira da modernidade e da prosperidade do país – mas sacrificados neste pretendido saque de saldo - sabem bem quanto pesa o trabalho precário, as condições de trabalho adversas, a incompetência de gestores por conta de um governo retrógrado e corrompido, a falta de financiamento para produzirem, a falta de oportunidades e a emigração forçada.
A vertente científica e técnica do “estado mínimo” não é nada inocente, é duplamente negativa – para a economia e para a administração pública. A economia nacional (sobretudo as PME) perde apoios especializados da parte do estado. E a população fica exposta à ignorância e a abusos que a fragilizam; desde os riscos naturais, a segurança e protecção quotidianas (obras públicas e edificação, produtos alimentares e farmacêuticos, redes de águas e sanitárias, riscos tecnológicos, etc.). Tudo a favor do grande capital sem escrúpulos.

O “entendimento” poderia fingir fazer sentido se fosse no quadro de um sistema financeiro internacional previsível ou estacionário. Porém, o “entendimento” conduz em linha recta à atrofia do sistema económico nacional, já caracterizado por enormes dependências alimentar e energética, sufocando a sua capacidade de resposta. Então, no quadro externo instável e resvaladiço de crise sistémica, sujeito a rupturas e preços descontrolados de bens alimentares e de combustíveis, um provável agravamento do contexto externo de aprovisionamento terá repercussão catastrófica na economia e nas condições de vida dos portugueses, também inflacionando ainda mais a divida externa. Esta vulnerabilidade não pode ser ignorada, ela é um risco adicional iminente, o do efeito multiplicador da crise internacional para o plano interno.
O capitalismo procede em Portugal (como na Grécia, Irlanda e possivelmente noutros países mais da UE) à sua consabida missão de extracção de mais-valia e de acumulação de capital, mas agora e aqui por outra via, designadamente o negócio do saque financeiro (chantagem e agiotismo).
Tal como na Líbia procede entretanto ao saque (dos valiosos recursos do subsolo – hidrocarbonetos e água potável, e dos fundos e reservas das empresas do estado e do banco central) pela via violenta da guerra (ilegal e não declarada).
 
O capitalismo é uma máquina de exploração de configuração variável e tentacular. O presente saque e a ameaça do seu aprofundamento, aqui em Portugal, servirá sinistramente como uma fonte de financiamento da actual guerra contra a soberania e o património do povo Líbio?

Esta é a agenda neoliberal na sua fase mais virulenta.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

E agora?


Sim! E agora que terminou a telenovela! Que vai ser de nós, como vamos viver?

Sim! Porque já estávamos habituados à “invasão" de centenas e centenas de turistas todos os fins-de-semana que vinham a Coruche visitar os locais onde foram realizadas as filmagens.

O que irá acontecer aos nossos restaurantes sempre à “cunha" e que agora vão ficar "às moscas "e o comércio?

É tal o impacto na economia local que a "Barraqueiro" não sabe que fazer aos autocarros, pois, não tem passageiros para transportar da grande Lisboa para Coruche.

O que nos vai valer é que - como afirmou D. Mendes - o retorno do investimento que a câmara fez na novela, vai ser tal, que Coruche irá conhecer nos próximos tempos enormes progressos e por isso os 200 mil euros e o gasóleo foram bem empregues.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Com o PS todo o cuidado é pouco!



O plano de urbanização "da herdade dos fidalgos" teve da parte da "CCDR-LVT" - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo - parecer desfavorável.

Porém na Câmara e na Assembleia Municipal de Coruche os eleitos do PS votaram a sua aprovação.


Como não há "almoços grátis" ... !?!


terça-feira, 10 de maio de 2011

OPERAÇÃO DE BRANQUEAMENTO



OPERAÇÃO DE BRANQUEAMENTO

A operação de branqueamento já começou. Ela faz parte da estratégia da classe dominante para fazer passar o programa imposto pelo FMI/BCE/UE. Dizem eles que "o programa nem é tão mau assim", "tem muitos aspectos positivos" ou que "podia ser pior". Os seus áulicos nos media, jornais económicos inclusive, reflectem esta orientação. Esquecem-se propositadamente de lembrar que o programa da troika é de uma contracção brutal da economia portuguesa, não mencionam as consequências do crescimento negativo. Esquecem-se igualmente de dizer que tal programa irá muito além dos três anos previstos – trata-se de um programa para o subdesenvolvimento definitivo de Portugal.
Por sua vez, os seus representantes políticos que aprovam o programa da troika – PS, PSD, CDS e Presidente da República – estão interessados em louvar as benesses deste programa imposto pelo capital monopolista e financeiro. Compreende-se perfeitamente:   as eleições de 5 de Junho estão à porta e precisam dourar a pílula. Valem-se do facto de que os efeitos só se farão sentir após 5 de Junho. 




segunda-feira, 9 de maio de 2011

É ASSIM NA CDU

Chamusca investe na habitação social

A Câmara da Chamusca atribuiu no final de Abril, através de arrendamento social, uma moradia T4 a uma família que já se encontrava sinalizada no âmbito do processo de realojamento promovido pelo município. A habitação foi construída pela autarquia e custou 66.800 euros, estando previsto o início de mais uma moradia, de tipo T2, ainda durante o segundo trimestre deste ano, na rua da Gamelinha, na freguesia da Chamusca. Estes investimentos são comparticipados em 50 por cento pelo IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana.

_________________________________________

Por cá, o dinheiro da câmara é usado na publicidade (158 mil euros em 2010), propaganda e gasóleo para as carrinhas “da novela”.

Paulo Portas - É apenas mais do mesmo!